Morre o deputado Clodovil
Wednesday, 18 March 2009 00:00
Em 16 de Março de 2009, Clodovil foi encontrado desmaiado ao lado de sua cama por um de seus assessores. Foi levado ao hospital Santa Lúcia, em Brasília, onde foi diagnosticado que o parlamentar sofrera um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico, entrando em coma. Suas chances de sobrevivência eram mínimas segundo médicos. No dia seguinte, 17 de Março, foi constatada sua morte cerebral, sofrendo uma parada cardíaca em seguida. O velório de Clodovil ocorreu na Assembléia Legislativa de São Paulo, para depois ser sepultado no cemitério do Morumbi, ao lado de sua mãe.
Consagrado como estilista nos anos 60 e 70, foi convidado a trabalhar na televisão, onde também virou moda, permanecendo por mais de quarenta anos; foi apresentador de inúmeros programas em diversas emissoras.
Lançou-se deputado federal nas eleições de 2006 e tornou-se o terceiro deputado federal mais votado do País, com 493.951 votos ou 2.43% os votos válidos. Desconversava quando indagado sobre candidatar-se à Prefeitura de São Paulo.
Foi conhecido principalmente pela postura de polemizador e por declarações consideradas impróprias ou indelicadas, muitas vezes dirigidas a outras personalidades famosas. Entre outras polêmicas, estão acusações de racismo e antissemitismo.
Clodovil Hernandes nasceu no interior de São Paulo e foi adotado por um casal de imigrantes espanhóis (Domingo Hernández e Isabel Sánchez), nunca tendo conhecido seus verdadeiros pais. Foi educado em colégio interno por padres católicos; mudou-se para São Paulo para estudar Filosofia, mas o talento falou mais alto. Falava francês e castelhano, além do português. Nos anos 60 ganhou fama como estilista de alta costura, mantendo uma "rivalidade" com Dener.
A despeito de um vida de glamour e fama, fazia questão de demonstrar a espiritualidade, referia Deus de forma recorrente no diálogo e nas entrevistas: Eu não sou briguento. Como eu poderia ser? Eu sou temente a Deus.
Início da carreira artística
Começou a carreira de estilista ainda jovem, aos 16 anos, quando um colega de classe sugeriu que desenhasse uns vestidos. Numa página de caderno desenhou 11 modelos e levou a uma loja no centro de São Paulo, aonde a gerente comprou seis modelos. O talento foi reconhecido por mulheres de variadas origens sociais, desde artistas, como Elis Regina e Cacilda Becker, a empresárias, como Hebe Alves (antiga proprietária das lojas Mappin) às famílias Diniz e Matarazzo, para as quais a linha prêt-à-porter era muito apreciada. Em 1960 ganhou o primeiro Agulha de Ouro e fez escola tornando-se uma referência em bom gosto, criatividade e elegância. Pioneiro, por anos seria um dos pilares da alta-costura, numa sociedade que importava modelos europeus, inaugurou uma moda made in brazil. Segundo Constanza Pascolato, “Esse termo (alta-costura) cabe especificamente às coleções de Paris.
Podemos dizer que o Clô fez uma „moda de ateliê‟ muito requintada e luxuosa, destinada a ocasiões específicas, como casamentos e coquetéis”, define.
Clodovil formou-se professor, mas ainda jovem se tornou um estilista conhecido no país e logo passou a trabalhar também na televisão, na qual já acumula mais de 45 anos de carreira em quase todas as emissoras de TV do país. Ficou famoso em 1976, ao ganhar o prêmio máximo no programa "8 ou 800?", apresentado por Paulo Gracindo, ao responder perguntas sobre Dona Beija.
No início dos anos 80, apresentou na Rede Globo o programa feminino TV Mulher, considerado revolucionário na época, ao lado da ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, na época apenas sexóloga. Em 1992, apresentou o programa Clodovil Abre o Jogo, da extinta Rede Manchete.
Como premiado figurinista de teatro, Clodovil também já trabalhou como ator e possuia registro como cantor.
Em maio de 2001, Clodovil estreou no comando do programa Mulheres (TV Gazeta), ao lado de Christina Rocha. Polêmico como sempre, Clodovil fazia críticas à colega, ao vivo. Após alguns meses, a parceria foi desfeita, e Clodovil passou a comandar um talk-show nas noites da TV Gazeta, durante as quais preparava receitas para receber seus convidados.
Em 2006 entrou para a política após candidatar-se e eleger-se deputado federal pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), possuindo inclusive o terceiro maior número de votos em São Paulo, estado por onde se candidatou. Usou bastante ironia em sua campanha, como a frase: "Vocês acham que eu sou passivo? Pisa no meu calo para você ver..." Tornou-se então o primeiro homossexual assumido a ser eleito deputado federal. Apesar disso, declara-se contra a Parada do Orgulho GLBT, o casamento gay e o movimento homossexual brasileiro.
Em setembro de 2007 o deputado decidiu trocar de partido e filiou-se ao Partido da República (PR), correndo desde então o risco de perder o mandato por infidelidade partidária, pois o TSE decidiu no dia 27 de março de 2007, que o mandato pertence ao partido e não ao eleito. No entanto, em 12 de março de 2009, foi absolvido por unamidade dos votos. Clodovil deixou o partido alegando ter sido abandonado pela legenda desde a eleição, quando não recebeu material de campanha, e posteriormente, quando não recebeu assessoria jurídica do partido. Devido a isso, os ministros do TSE concordaram que houve perseguição interna, uma das condições que permitem que o parlamentar troque de legenda.

